terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Governador de São Paulo anuncia recuo na quarentena

 João Dória (PSDB) anunciou nesta segunda (30) o recuo da fase verde para a fase amarela do Plano São Paulo


Por: Livia Alves

Um dia após o segundo turno das eleições municipais vencidas por Bruno Covas (PSDB), o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), anunciou em coletiva o recuo na fase de bandeiras do Plano São Paulo em todas as regiões do estado.

A cidade que estava na fase verde do isolamento, agora, retorna a fase amarela. Segundo o governador, a fase amarela não fechará comércios, porém, o funcionamento ficará limitado a 40%, podendo ficar aberto dez horas por dia.

O Plano São Paulo, que é divido em 5 bandeiras, retorna da quarta para a terceira fase. As diferenças entre a fase amarela (3ª) e a fase verde (4ª) são a redução do tempo de atendimento comercial, que vai de 40% para 60%, com a diminuição na flexibilização.

A mudança das bandeiras não afeta o cronograma de volta às aulas, o Estado mantém as salas de aula com 35% da quantidade de alunos com exceção da capital paulista que só permitirá 20% de ocupação. Para academias, o funcionamento ficará restrito à 30% da capacidade do espaço, podendo estar aberta por 6h diárias com aulas individuais.

Durante a coletiva, Dória faz um apelo e pede paciência para a população e conscientização dos jovens, “A você que está na sua casa nos assistindo nesse momento, nos ajude. Até a chegada da vacina e a imunização dos brasileiros precisamos ter cautela, paciência, resiliência e compreensão, e muita orientação principalmente aos mais jovens para que, por favor, evitem aglomerações, por favor, usem máscaras, por favor, lavem as suas mãos e compreendam que a Covid-19 não foi embora, o vírus ainda está presente, e o vírus mata.”, alerta o Governador.

Apesar da fala de Dória em coletiva afirmar que a cidade tem se prevenido desde março com o Plano São Paulo, o biomédico Henrique Trindade afirma que a capital, em nenhuma fase das bandeiras, teve um isolamento adequado, “São Paulo não parou como outros países em nenhum momento. Na Alemanha, se você saísse de casa sem motivo recebia uma multa de 5 mil euros. Nossa quarentena deveria ter durado 15 dias, de forma rígida e ponto. Não esse vai e vem de hoje (...) Nossa dívida interna já está em mais de 90% do PIB e o pessoal hoje pensa em saúde com o pé na economia.”, comenta.

O Biólogo Vinicius Rodrigues de Lima comenta o receio de uma piora no cenário nacional. “Estamos em uma tendência de aumento no contágio que se perder o controle vira uma segunda onda pior que a primeira.”, diz.

De acordo com o enfermeiro Patrick Zipperer Janckowski, a reabertura dificultou a situação, “O sistema aparenta uma espécie de colapso. Voltamos a abrir UTI que haviam sido fechadas. Meu complexo hospitalar conta com 89 leitos dos quais cerca de 65 já foram ocupados. Tenho paciente que mente sobre não ter contato com a covid para fazer cirurgia e isso põe em risco a vida deles e dos outros.”, lamenta.

Ao final da coletiva, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), afirma que a próxima classificação do plano São Paulo será realizada no dia 4 de Janeiro de 2021.

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segunda-feira, 16 de novembro de 2020

Novembro azul: homens deixam de ir ao médico na pandemia

 Em função da Covid-19, público masculino tem deixado de fazer consultas regulares ou tratamento médico, o que pode ter impacto no diagnóstico de câncer de próstata


Monique Soares,

Uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), em outubro deste ano, mostrou que 55% dos homens acima dos 40 anos deixaram de fazer alguma consulta ou tratamento médico por conta da pandemia da Covid-19. Esse dado pode ter impacto, por exemplo, no diagnóstico de câncer de próstata, que é o tumor mais frequente entre a população masculina.

Ainda de acordo com os dados da SBU, 57% desse grupo acima dos 40 anos afirmaram ter percebido um impacto negativo na saúde neste período de pandemia, enquanto 9% consideraram que a saúde estaria pior do que antes.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 65.840 novos casos de câncer de próstata surjam em 2020 no Brasil, com 15.576 mortes relacionadas. “O homem historicamente já não é muito afeito a fazer exames de rotina. Ele já tem uma dificuldade, que tem melhorado ao longo dos anos. Mas ele ainda é bem mais resistente do que as mulheres. Então, se a gente somar isso, que já acontece de maneira rotineira, com o fato de que a pandemia inibiu mais ainda os homens de ir ao médico, temos um problema grande para resolver nos próximos meses”, afirma o médico urologista Dr. Luis Cláudio Heitzmann.

Segundo o urologista, a realização dos exames de rotina para diagnóstico de câncer de próstata é extremamente importante para que a doença seja descoberta ainda em fases iniciais, o que pode aumentar as chances de cura. “Quando você faz um diagnóstico precoce, você pode também fazer um tratamento precoce. E as chances de cura são muito altas. O câncer de próstata tem uma característica que, na maior parte das vezes, ele é um câncer de crescimento lento. Então se a gente consegue pegar ele nas fases iniciais, e empregando o tratamento correto, conseguimos praticamente curar a pessoa”, afirma Heitzmann.

Em relação aos sintomas, o urologista explica que o tumor da próstata não costuma apresentar sinais quando está em estágio inicial. “O câncer de próstata, em geral, nas fases iniciais, ele é silencioso. Por isso a gente pede para o paciente ir rotineiramente ao urologista, uma vez ao ano, independentemente de sintomas. (...) Quando o paciente tem sintomas e descobre que é o câncer de próstata que está causando esses sintomas, normalmente é quando a doença já está no estágio mais avançado”, explica.

Heitzmann também alerta sobre os hábitos que podem ajudar a prevenir o câncer de próstata. “Alimentação saudável, evitar a obesidade e combater o sedentarismo - é importante manter práticas de atividade física regulares, porque isso vai ter impacto na evolução do câncer de próstata. Evitar vícios, como álcool e fumo, que podem atrapalhar e aumentar os riscos de câncer de próstata”, explica o urologista. “Prestar a atenção nos fatores que a pessoa já pode ter com relação a ser negro, porque quem é negro tem uma predisposição maior a desenvolver o câncer de próstata. E aqueles homens que tem familiares de primeiro 1º grau com o câncer de próstata na família, como pai, tio e irmão”, alerta o médico.

Para conscientizar sobre a campanha do Novembro Azul, a Universidade Santo Amaro (UNISA) realizará palestras e ações sociais como forma de alertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de próstata. Dentre as atividades que a Universidade promoverá, estão:

  • Ciclo de palestras online;
  • Distribuição de folders aos pacientes na UBS Jordanópolis, em São Paulo;
  • Postagens no Instagram Stories (@unisaoficial);
  • Distribuição de fitas azuis para os colaboradores da Instituição;
  • Participação dos professores e coordenadores, com a disponibilização de slides alusivos à causa da campanha. 



Infográfico: Monique Soares



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segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Músicos retomam as atividades em São Paulo

 Com a reabertura parcial dos estabelecimentos, artistas rua, em geral, retomam aos poucos o dia a dia


Por: Livia Alves

Devido ao isolamento social causado pelo Coronavírus, diversos artistas como músicos ficaram desamparados sem sua forma principal de renda. Com a cidade de São Paulo entrando em fase amarela, e aumentando a circulação de pessoas sobretudo no centro da cidade, alguns desses músicos passaram a reocupar seus pontos de shows e busca por retomar essa renda perdida.

A cantora e editora Nega Preto NP comenta sobre a quarentena ter afetado sua renda. “Os shows eram o que me garantia algum retorno, mesmo que vendendo CD's. É raro ter algum evento que possa ‘rolar’ sem aglomeração contratando artistas menos consolidados na cena nacional. Sobraram pouquíssimas coisas e o auxílio (emergencial) veio a ser bem útil”, afirma NP. A cantora também fala sobre como isolamento social proporcionou um novo público, porém, não é o suficiente para complementar a renda. “Felizmente ainda rolam alguns (eventos) online, mas nem todos remunerados. O lado bom foi que isso trouxe um grande público para acompanhar as redes sociais e plataformas digitais”, destaca.

O cantor Vinidarima afirma que antes da pandemia sua remuneração vinha de suas apresentações em trens e metrôs. “Antes eu tirava só uma renda com isso, hoje vivo, sobrevivo e existo por e com música. Em relação a antes da quarentena, ainda está escasso, mas acho que em comparação, hoje em dia o movimento é maior de desde o começo (do isolamento social)”, explica.

Diferente do Vinidarima e da cantora Nega Preto, Luz começou sua carreira musical durante a pandemia. “Comecei a me apresentar na quarentena, depois da flexibilização, nos metrôs de São Paulo. Agora que sobrevivo da arte (...). Por ter começado a cantar durante a quarentena, não vi muita coisa, mas cantar de máscara é incômodo, não poder ver o sorriso das pessoas é incômodo”, diz Luz.

Apesar da mudança beneficiar este grupo que tem sofrido com a falta de trabalhos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) continua a afirmar que o isolamento social é necessário. A prática de cantar e tocar instrumentos dentro dos metrôs e trens, apesar de não permitida pelo governo, são muito comuns na cidade de São Paulo.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Pandemia afeta saúde mental dos empreendedores

 

Estudo feito pela consultoria Troposlab, em parceria com a UFMG, aponta que os níveis de estresse, ansiedade e depressão de empreendedores foi parecido com os de profissionais de saúde

Monique Soares,

Assim que a pandemia da Covid-19 chegou ao Brasil, empreendedores precisaram se reinventar e estabelecer novas estratégias em tempo recorde para dar continuidade aos negócios. No entanto, esse processo de adaptação ao novo cenário trouxe ainda mais pressão e incerteza no empreendedorismo, o que resultou em uma mescla de estresse, ansiedade e depressão.

É o que apresenta a pesquisa realizada pelo núcleo da consultoria Troposlab, empresa especializada em inovação, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O estudo, pioneiro no Brasil, teve a participação de 653 empreendedores de quase todos os estados brasileiros entre 4 e 25 de junho.

No levantamento foi observado que 51,1% dos empreendedores tiveram a vida afetada pela pandemia, enquanto 24,9% disseram que a vida foi muito afetada nesse período. Em relação à necessidade de acompanhamento e cuidados com a saúde mental e início do uso de medicamentos, como antidepressivo, ansiolítico ou ambos, foi relatado uso por 15,16% dos entrevistados.

O relatório de pesquisa também apontou que as mulheres apresentaram maior intensidade de sintomas para ansiedade (28,5%) e depressão (10,4%) quando comparadas aos homens (22,2% de ansiedade e 3,4% com depressão). Segundo a pesquisadora da Troposlab e que está à frente do estudo, Marina Mendonça, o grupo de mulheres é diferente do grupo de homens para a população de empreendedores quando se trata de sofrimento mental. “O que a gente encontrou no estudo para os empreendedores é uma confirmação de que há realmente essa diferença. Existe a necessidade de novos estudos, de investigar mais profundamente, mas uma hipótese para esse momento é que de fato as mulheres acumulam mais atividade. Então talvez o ambiente para as mulheres seja um pouco mais estressante, ele tem mais pressão, ele tem mais acumulo de tarefas. Talvez seja uma jornada de trabalho mais extensa”, explica.

Já em relação à existência de diagnósticos de ansiedade ou depressão, atribuído por um profissional de saúde, ao longo da vida, 13,8% dos empreendedores respondeu que sim para depressão e 50,7% para ansiedade. Ainda segundo o estudo, os estados de São Paulo, Goiás e Distrito Federal foram os que mostraram maior frequência em sintomatologia alta, o que poderia apontar para níveis de sofrimento psicológico mais alto.

Para realização do estudo, os pesquisadores utilizaram como base o teste DASS-21 (que mede os níveis de ansiedade, estresse e depressão) e observaram que tanto os empreendedores quanto os profissionais da saúde apresentaram resultados e níveis de sofrimento mental semelhantes no período de pandemia.

A pesquisa também apresentou pontos sobre a percepção de incerteza dos donos de negócio com o cenário pandêmico. Segundo o relatório, cerca de 45,5% dos empreendedores concordam totalmente com a afirmativa de que a pandemia deixou o ambiente mais incerto para o seu negócio. Já sobre a capacidade para lidar com as incertezas, 23,7% dos empreendedores concordam totalmente que as possuem, enquanto 47,9% concordam apenas parcialmente. A pesquisadora Marina Mendonça explica que é necessário que os empreendedores busquem novos conhecimentos para o negócio durante o período de pandemia. “É importante que ele [empreendedor] entenda a necessidade de buscar ajuda, de buscar apoio, de estudar, de buscar curso, de buscar orientações e consultorias. Existem coisas acontecendo, inclusive gratuitamente, fornecido muitas vezes até mesmo pelo SEBRAE. Então ele precisa acessar a sua rede nesse momento e buscar ajuda. (...) Isso vai de fato ajudar para que ele se sinta um pouco melhor do ponto de vista psicológico e do ponto de vista de saúde mental”, explica Marina Mendonça.



Infográfico: Monique Soares


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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Câncer de Mama atinge população masculina

 

Apesar de raro, Instituto Nacional de Câncer afirma que homens também correm risco de contrair a doença


Por Livia Alves

O câncer de mama é uma doença que atinge em sua maioria mulheres. Porém, apesar de raro, pode ser tão fatal para homens quanto para mulheres.

A doença em homens é tão rara que, de acordo com o INCA (Instituto Nacional de Câncer), nem entra na estimativa. Segundo a pesquisa de 2018, o número de mortes por câncer de mama no Brasil foram de 17.763, sendo 17.572 em mulheres e 189 em homens. O INCA também coloca como possíveis fatores de risco, os genéticos e hereditário, reforçando a importância do conhecimento de risco sobre o câncer e a necessidade do exame de toque independente do gênero.

A auxiliar de enfermagem Larissa Calouro Pachioni explica o que é o que pode causar a doença “O câncer de mama é um tumor maligno que tem uma taxa de grande crescimento e que pode se espalhar facilmente para outros órgãos e regiões do corpo. No caso masculino, o diagnóstico é feito com base no histórico familiar, nos exames de imagem, sangue, exames físicos e biópsias. Como o homem possui menos tecido mamário, é mais fácil observar e sentir as pequenas massas” afirma Larissa.

A auxiliar de enfermagem explica que os pacientes submetidos à mastectomia não são imunes ao risco. “Mesmo após a retirada total das mamas existe a chance de desenvolver (o câncer de mama) e se já tiver casos confirmados na família, a predisposição é de 10%.” diz. 

De acordo com o enfermeiro Patrick Zipperer Janckowski, os dados podem ser contaminados pela falta de conhecimento do risco entre os homens “Os homens tem pouco conhecimento sobre a doença, e isto está ligado principalmente a forma como a sociedade molda o indivíduo, pois desde criança aprendemos que câncer de mama é coisa de mulher, homem não deve se preocupar com a saúde. Porém, não é esse o caso, pois ambos os sexos possuem tecido mamário, porém em diferentes quantidades”, explica o enfermeiro.

Patrick também fala sobre os sintomas da doença e reforça a necessidade de buscar auxílio médico, “O que não pode acontecer é a pessoa perceber e demorar para ir ao médico. Qualquer alteração percebida deve ser comunicada ao médico para melhor investigação”, complementa Janckowski.




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sexta-feira, 9 de outubro de 2020

Mulheres prolongam mamografia na pandemia

Devido ao cenário pandêmico, mulheres deixaram de realizar exames preventivos para não recorrer às unidades de saúde, o que não é indicado pelos especialistas

 

Monique Soares,

Todos os anos a campanha Outubro Rosa tem por objetivo reforçar a importância do autoexame e da prevenção contra o câncer de mama. No entanto, um fator tem chamado à atenção: a diminuição do diagnóstico da doença. Segundo um levantamento feito pela Fundação do Câncer, com base nos dados do Sistema Único de Saúde (SUS), houve uma queda de 84% nas mamografias realizadas no Brasil durante a pandemia da Covid-19.

O número de mamografias feitas até julho de 2020 foi de 1,1 milhão, enquanto nos mesmos períodos de 2018 e 2019 foram 2,1 milhões. De acordo com a pesquisa elaborada pelo IBOPE Inteligência, a pedido da farmacêutica Pfizer, cerca de 62% das mulheres deixaram de ir ao ginecologista ou ao mastologista devido ao atual cenário mundial. Entre as que têm 60 anos ou mais e que fazem parte do grupo de risco, a porcentagem é ainda maior: 73% disseram estar à espera do fim da pandemia para retomar as consultas médicas e fazer exames de rotina.

Apesar do contexto pandêmico, especialistas da área orientam que a rotina de prevenção deve ser mantida pelas pacientes. Segundo a médica oncologista e coordenadora da oncologia mamária e torácica do Hospital São Camilo e Instituto Emunah, Bruna Zucchetti, seguir com os exames contribuem para o diagnóstico precoce do câncer de mama, o que também pode favorecer no tratamento da doença. “Se a gente conseguir diagnosticar mais precocemente, nós conseguimos fazer uma cirurgia menor, sem a necessidade de fazer uma mastectomia, que retiraria a mama toda. E em alguns casos, quando a gente consegue diagnosticar muito cedo, nem precisa de quimioterapia, por exemplo. Então o tratamento ficaria muito mais simples, trazendo menos atrocidade e menos morbidade à paciente”, explica.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que o câncer de mama deva atingir 66.280 mulheres em 2020. É o tumor mais incidente entre as mulheres do mundo todo. Ainda de acordo o órgão, cerca de oito mil casos será em pacientes com menos de 40 anos, o que equivale a mais de 12% do total. “A recomendação do Ministério da Saúde é que todas as mulheres acima dos 40 anos façam uma mamografia anualmente. Como a gente tem visto muitos casos de câncer de mama em mulher mais jovem, a gente vê isso no consultório e vê que realmente aumentou nos congressos de medicina de oncologia, se puder já fazer ultrassom seria bom porque a mulher mais jovem tem a mama mais densa, então é pior a mamografia. O ideal é fazer a mamografia junto com o ultrassom. Então se puder aos 35 anos já começar a fazer anualmente o ultrassom e a mamografia seria melhor”, explica a oncologista.

Embora o autoexame da mama seja considerado importante para o autoconhecimento do corpo e para a detecção de nódulos, a médica Bruna Zucchetti diz que ele não elimina os exames com os profissionais. “O autoexame é importante e até incentivado para que as mulheres se apalpem e se toquem para ver se teve algo que surgiu entre os exames de rotina que se faz anualmente, porque eventualmente pode surgir o que a gente chama de tumor de intervalo, que é aquele tumor que surge entre um exame e outro. Agora esse exame não tem a capacidade de excluir o exame de imagem. Então é preciso fazer os exames”, afirma.

Zucchetti afirma que o câncer de mama não tem uma causa única. Segundo a oncologista, vários fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver a doença. “O câncer de mama tem diversos fatores. 15% dos fatores tem uma causa genética associada, que é uma mutação genética, mas os outros 85% ou 90% não tem uma causa associada”, explica. “A gente sabe de alguns fatores que aumentam as chances, que é bebida alcoólica, tabagismo, o fato das mulheres menstruarem muito cedo, não terem filho ou terem filho muito tarde. Não amamentar aumenta a chance, que a gente sabe que a amamentação é um dos fatores de proteção para o câncer de mama, e a obesidade também é um fator de risco”, detalha.

A médica oncologista reforça que é preciso a realização dos exames preventivos do câncer de mama e que os hospitais estão preparados para receber às pacientes, mesmo em época de pandemia. “É necessário fazer os exames (...). Já está seguro em fazer os exames nos hospitais. Os hospitais, pelo menos os daqui de São Paulo, criaram fluxos independentes dos pacientes com e sem a Covid-19. Então os pacientes que não tem suspeita do coronavírus e que iriam para o hospital só para fazer o exame de rotina, eles não acabam entrando em contato com os pacientes que possuem o vírus”, explica.

Para conscientizar sobre a campanha do Outubro Rosa, a Universidade Santo Amaro (UNISA) realizará palestras e ações sociais como forma de alertar a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Dentre as atividades que a Universidade promoverá, estão:

  • Decorações e informativos (panfletos) na UBS Jordanópolis, em São Paulo;
  • Palestras online que serão ministradas pelo curso de Educação Física no Programa de Alianças para a Educação e a Capacitação (PAEC);
  • Dicas de nutrição no Instagram Stories (@unisaoficial) e também vídeos no IGTV sobre como fazer exame em casa nas cadelas;
  • Pet Day: exames e orientações gratuitas para cadelas e gatas, que serão realizados no Hospital Veterinário da UNISA (HOVET), Rua José Portolano, 57 – Jardim das Imbuias (SP), dia 29/10 das 9h às 17h;
  • Projeto da Talita Romatti “Doe Lenço Doe Alegria” – estão sendo arrecadados lenços nos Campus I e II da instituição para serem doados ao Banco de lenços da quimioterapia do Hospital IBCC Oncologia – Campus I, Rua Prof. Enéas de Siqueira Neto, 340 – Interlagos (SP), e Campus II, Rua Isabel Schmidt, 349 - Santo Amaro (SP).  


Infográfico: Monique Soares

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sexta-feira, 2 de outubro de 2020

Desemprego cresce 27,6 % nos últimos 4 meses


Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, o mês de agosto teve cerca de 3 milhões de desempregados a mais que o início de maio deste ano.


Por: Livia Alves

Pesquisa divulgada no dia 23 de setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) afirma que, como consequência da pandemia, o mês de agosto terminou com 12,9 milhões de desempregados, quase 3 milhões a mais do que fora registrado no início do mês de maio.

Entre as regiões mais afetadas pelo desemprego, as maiores taxas foram observadas no Nordeste com 15,7%, Norte com 14,2% e no Sudeste 14,0%. As regiões que tiveram taxas inferiores foram Centro-Oeste com 12,2% e Sul com 10,0%. Segundo IBGE, a Região Sul foi a única a apresentar queda da população desempregada.  


Com a flexibilização, a busca por empregos formais e informais voltaram a crescer. De acordo com a pesquisa, agosto encerrou com 27,9 milhões trabalhadores informais. Os dados apontam que apesar do aumento, esses profissionais buscam por empregos formais e com carteira assinada.

A estudante Gabriela Dellamora Paim, que trabalha como tradutora e ilustradora freelancer, afirma ter receios pela falta de segurança da informalidade. “O trabalho informal nos faz perder benefícios importantes, desburocratiza os processos da empresa que nos contrata e coloca vários direitos (trabalhistas) do empregado em risco”, afirma.

Dellamora também comenta como o isolamento social afetou seus negócios, “As empresas deixaram de procurar pessoas do meu ramo por um tempo (no início do isolamento social), mas agora as coisas estão voltando. Ainda sim, querem pagar menos por mais por causa da crise”, diz.

A Ilustradora Gabriela Paim comenta a falta de oportunidades no mercado para pessoas sem especialização, mesmo com experiência. “Não ter currículo com faculdade tem sido uma pedra no caminho. Eu tenho um ótimo currículo como tradutora, só não tenho faculdade. Ainda assim preferem alguém que tenha especialização”, afirma.

A pesquisa aponta que mulheres de cor preta ou parda e jovens entre 14 a 29 anos tiveram um percentual maior de desemprego do que homens e pessoas brancas. Profissionais com nível superior completo ou pós graduados tiveram menores taxas.

Freelance como assistente de loja e garçonete, Deise Godoi aponta que existe preconceito entre os empregadores, e que falta oportunidade para novos trabalhadores. “É bem escasso de oportunidade. Tive problemas com relação ao “padrão”, tenho uma tatuagem chamativa, cabelo curto, sem falar que diversas empresas têm receio de contratar jovens. Acham que jovens não tem uma responsabilidade tão grande”, explica.

Deise também aponta as dificuldades de ter um trabalho que não é formalizado, “No trabalho informal, as vezes eu consigo ganhar mais, mas não é garantido todos os dias porque é muito dispensável o freelancer, é muito substituível. Dependendo do movimento eles param de contratar, sem falar que não tem fundo de garantia, PIS, décimo terceiro, a gente não tem nada disso. Tem trabalho que não tem flexibilidade de horário, eles fazem a gente cobrir um turno, dois”, afirma Godoi.  

O doutor em economia, especialista em finanças públicas e professor da Universidade Santo Amaro (UNISA), André Martins de Almeida, observa que sobretudo os jovens, inclusive os universitários, sempre estiveram entre os mais afetados pelo índice de empregabilidade. “Segundo informações do IBGE-PNAD, em 2019, o desemprego entre os jovens de 18 a 24 anos já era mais do que o dobro do resto da população brasileira. Isto é, a taxa de desemprego entre os jovens estava em 26,6% enquanto da população em geral estava em 12,4%. Agora, durante a pandemia, em nível mundial, com certeza a queda econômica desempregou muito os jovens”, detalha o professor.

O docente da Unisa aponta dados referente aos jovens que, mesmo empregados, também foram afetados pela pandemia, “O diretor do departamento de política de emprego da importante Organização Internacional do Trabalho (OIT), Sangheon Lee disse que “(...) a pandemia da Covid-19 tem um impacto sistêmico, profundo e desproporcional sobre os jovens”. Para Sangheon Lee, mesmo aqueles jovens que permaneceram empregados após o início da pandemia viram as suas rendas caírem por conta da redução das horas de trabalho”, diz.

O especialista comenta que não existe fórmula mágica para resolver esta situação, mas que existem alternativas para que o índice de desemprego diminua. “Mais do que criar programas o governo federal deve estabilizar a economia, isto é, entre outros fatores controlar a inflação, o déficit público e estimular o PIB. Neste ambiente de pandemia, por exemplo, o governo federal poderia estimular o PIB do país por meio de políticas fiscais expansionistas, principalmente atuando na redução da carga tributária do país”, conta.

 


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